Resenha Lovely Complex, de Aya Nakahara (Volume 1)

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A minha visão do antes e do agora com Lovely Complex.

Lovely Complex chega às bancas neste mês e traz consigo muito bom humor, além de piadinhas que mesmo em um tom mais “antigo” conseguem entreter o leitor. Sendo bem sincera, não gostava de LoveCom. Só conheci o título graças a duas pessoas – minha irmã e minha melhor amiga – e na época que saiu o anime acabei assistindo alguns episódios por livre e espontânea… pressão. Em casa convivia com uma otaquinha que revia não uma, mas diversas vezes, o anime; já na escola, tinha que ouvir o quanto LoveCom era maravilhoso. A questão é: parecia muito bobo, odiava a voz irritante da dubladora da Risa e até para a época as piadas pareciam ultrapassadas. O lançamento do mangá no Brasil era uma chance para me livrar dessa visão distorcida que tinha, até porque, a obra tem fãs. E muitos. Então, vamos a essa resenha aonde eu conto como quebrei a cara.

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A HISTÓRIA

Lovely Complex, que conta a história de Risa Koizumi, uma garota de 1,72 de altura (alta para os padrões japoneses), colega do “baixinho” Atsushi Otani, de 1,56 de altura. Os dois formam uma dupla cômica, sempre atraindo a atenção de todos por serem extremos opostos. Tudo começa com uma aposta: qual dos dois arranjaria uma namorada ou namorado primeiro? Graças a suas “diferenças” do padrão, essa não é uma tarefa fácil e a trama começa a se desenvolver justamente no ponto em que ambos percebem que a resposta para seus problemas estão alí, um do lado do outro. E assim começa uma divertida e diferente história de amor entre a “gigante” e o “anão”.

COMENTÁRIOS GERAIS

Se anos atrás desprezava LoveCom pela sua comédia “pastelão”, hoje é ela que me compra. Desde o início do volume presenciamos Risa Koizumi e Atsushi Otani brigando como duas crianças de 10 anos, sempre se xingando e zombando um do outro graças a suas alturas. Apesar de 85% do mangá ser composto de discussões bobinhas, não é irritante, pelo contrário, acredito que nos dias atuais esse tipo de humor faz falta. O simples se tornou chamativo. As gírias são bem antigas, as ofensas são ultrapassadas, mas tem passagens que são tão idiotas que não tem como não rir; dou destaque para uma em que, claro, Risa e Otani estão tendo mais uma discussão em que Risa diz: “Oh, perdão. Você está tão abaixo de mim, que nem te enxerguei”. E Otani retruca com um: “Grande desse jeito, você é praticamente um obstáculo à livre circulação. Acho que vou chamar a prefeitura pra te remover”. Tosco. Idiota. Bobo demais. E que fazem a leitura do mangá um ótimo entretenimento.

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O que mais me conquistou nesse primeiro volume de LoveCom foi a personalidade de Otani e de Risa, não apenas em seu modo individual, mas também como parceiros, seja isso em forma de uma paródia de comediantes ou quando precisam de um “chacoalhão” em algum momento difícil. São personagens que negam, se odeiam e brigam, mas que ao contrário de vários casais de shoujo, passam a ideia de que eles realmente se conhecem. São o 8 e as vezes o 80, porém são sinceros de sua própria maneira desajeitada. Falando em desajeitada, deixo aqui um espacinho para falar da Risa; a considero uma protagonista forte, mas que está em uma categoria mais… Inconsequente. Ela faz o que quer, age de maneira máscula, não tem um pingo de cuidado com seu lado feminino, porém tenta. Nesse quesito a autora faz um trabalho excepcional, até porque quando a personagem tenta agir de forma “fofa”, a autora acaba passando a imagem de que aquela atitude é forçada, dando cenas bem cômicas para a garota – as expressões que ela faz nesse volume quando está perto do Suzuki explicam tudo. Já o Otani é um personagem que temos a oportunidade de conhecer a fundo, o que se diferencia de todos os machões de shoujo que só entendemos depois de vários volumes, que não desistem daquela imagem “fria” que querem passar; enquanto ele não, o personagem está lá para marcar presença desde o início, passando a imagem de que o conhecemos a mais tempo do que realmente é.

Nesse primeiro volume não encontrei pontos na história em que realmente me fizessem pensar em “nossa, isso daqui tá mesmo ruim”. O traço era a característica que cogitei em colocar como aspecto negativo quando pegasse o mangá, mas isso não ocorreu e nem ocorrerá. Ao contrário de várias obras publicadas na mesma época – HanaKimi de 1996, por exemplo, ou então Taiyou no Uta de 2006 – a parte estética de LoveCom ainda consegue ser aceitável nos dias atuais, sendo que a autora o desenhou em 2001. Usarei como argumento para a minha afirmação o modo como a mangaká desenhava o cabelo de seus personagens. Antigamente era bem mais comum vermos o que chamo de “cabelo palha”, que seria aquele penteado mais simples é básico, que não aparenta movimento nenhum e são só linhas retas na cabeça do personagem. LoveCom não conta com esse efeito (horroroso) e apesar do senso de moda deles hoje serem antiquados, os penteados são mais “fofos”, mais realistas. É um exemplo idiota, porém é um aspecto que julgamos no inconsciente e separamos entre “atual” e “ugh, velho demais”.

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Com relação a edição nacional, o mangá ainda mantém o padrão de publicação do nome “Lovely Complex” que há em outros países (como França e nas duas edições da Itália), sendo privilégio apenas da edição original e a estadunidense a abreviação “LoveCom”. A fonte escolhida é bem simples, porém ainda é a versão mais bonita – esteticamente falando – do que as edições estrangeiras. Gostaria de deixar ainda uma notinha aqui de que a versão italiana mais recente, de 2015, tem erros grotescos na capa onde em determinado volume o nome do mangá fica por cima por personagem, já em outra ela faz o contrário – frescura, talvez, mas isso acaba com o padrão que a obra deveria ter. A lombada da versão brasileira também é bem humilde e que, desculpem, não gostei. Mesmo com Kimi ni Todoke, que tem uma lombada simples, é atrativa, a de Aoharaido tem toda aquela aquarela espetacular, então sim, um pouco decepcionante essa ao meu ver – apesar de que acredito que conforme os volumes forem sendo publicados e colocados um do lado do outro, como de costume, talvez até surja um efeito diferente.

Outra coisa que gostaria de realçar é o fato de não haver sinopse e o índice marcar apenas a página do primeiro capítulo e depois o do glossário; não achei ruim de fato, mas é como se estivesse faltando alguma coisa. O mais estranho é que isso foi uma decisão do licenciante, segundo nos foi informado diretamente da editora. Provavelmente porque a edição japonesa também não possui um índice. Com relação ao nome dos personagens, a editora se manteve com os honoríficos (kun, chan, etc), mantendo o original do mangá japonês. O papel não teve problemas com a transparência, já que está sendo usado o brite 52g – o meu preferido, apesar de reclamarem de amarelar com o tempo – o mesmo usado em Aoharaido e Kimi ni Todoke. Vi muitas reclamações com o fato da capa de trás do mangá ser “espelhada” (igual a da frente, para os leigos), acontece que no mangá original também é assim e todos os volumes, repetindo, todos os volumes, tem apenas uma capa.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não tenho reclamações com relação a história de LoveCom. Acredito que o volume foi bem desenvolvido e consegue deixar o leitor a par do que está por vir, inclusive me sinto ansiosa para dar continuidade a essa coleção. Talvez a única coisa que me incomode é a edição em si, o material físico. Não há nenhum erro de ortografia, edição ou revisão, nesse sentido ele está perfeito, mas é um mangá que nas bancas seria facilmente apagado por obras mais bonitas e chamativas. Ele é simples em todos os sentidos. A maioria dos consumidores que adquirirem o mangá já devem ser fãs, devem conhecer a obra, porém sempre tem aquele famoso “consumidor de banca”; para essa pessoa aí, o título será ofuscado por outras obras. O material nacional está respeitando o original, porém aguardo um marketing maior com o decorrer dos volumes. Entretando, LoveCom é um shoujo que merece a atenção de quem procura uma bela comédia e uma leitura que passa voando.

Lovely Complex conta com 17 volumes – já completo no Japão – e distribuição bimestral pela Panini. O preço de capa é de R$12,90.


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16 comentários sobre “Resenha Lovely Complex, de Aya Nakahara (Volume 1)

  1. Ótima resenha, uma pena mesmo que não pôde ser utilizado aqui o LoveCom no título…ficaria bem mais suave a capa. Acho redundante o título aparecer duas vezes, mas enfim…
    E discordo sobre o título ser ofuscado por outras obras na banca….qual seria o critério pra isso?

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    • Provavelmente ela quis dizer que ele é ofuscado pela capa não chamar tanto a atenção nas bancas como outros títulos. Ela é bem comum, mesmo. Até concordo com ela. Uma pessoa que não conhece dificilmente vai se interessar.

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      • A grande diferença de Kimi ni Todoke para Lovely Complex se dá pelo fato das capas, lombada e até mesmo o nome do primeiro terem mais cores, diferente de LoveCom que consegue ser mais “limpo” com o fundo e a lombada branca. Obrigada pelos comentários, meninas! ;3;

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  2. Ótima resenha, Miyu! Mais uma pra sua conta! E adorei as suas fotinhas também! Acho que LoveCom tem tudo para dar certo, principalmente por ter essa mesma visão sua de que os protagonistas são diferentes de qualquer shoujo dos dias de hoje.
    No aguardo de mais um texto seu! ❤

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  3. Confesso que quando anunciaram Lovely Complex decidi em não comprar. Porque eu já tinha Aoharaido, Orange, Alice Hearts e buscando as edições de Sailor Moon que já lançaram… Mas então conforme foi chegando o lançamento eu fiquei ansioso porque a obra parece bem simples e é de uma simplicidade que muitos mangás por aí precisam para serem melhores. Agora, com sua resenha, decidi que vou colecionar (haja calculadora para economizar kkk), porque os personagens parecem pessoas normais, os “”tipos de shoujo””” com certeza estão lá, mas sempre temos esses amigos zueiros nas nossas vidas, não??
    Talvez a edição chame a atenção justamente por ser simples, Miyuki. Com tantos shounens que a capa só falta brilhar e sem capas mais claras como as de Aoharaido no mesmo mês, bem capaz de alguém pegar porque é diferente do que se estão lançando…
    Mais uma coisa, adorei as fotos!!! Primeira resenha que vejo com fotos tão informativas assim sobre o volume!! Todas as resenhas de títulos de banca deviam ter kkk

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  4. Fiquei muito feliz em ver mais um shoujo bacana sendo lançado por aqui. Torcendo para que essa sequência não se interrompa mais.
    Não é meu shoujo favorito e tem algumas coisas que me irritam (a personalidade do Otani do meio pro final realmente me tirou um pouco o prazer de ler), mas nada que seja tão ruim.

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  5. Adorei mesmo a resenha, especialmente pelas fotos.

    Primeiro, deixe-me dizer que meus problemas com resenhas muitas vezes são as faltas de imagens ilustrativas, para incentivar ou não quem está lendo a resenha a comprar. Nesse caso, ficou ótimo: tem imagem da capa, lombada, capas internas e algumas do miolo. Parabéns.

    Quanto ao texto, achei ótimo, mesmo sendo a primeira resenha do site que leio. Concordo com o fato de que a capa está limpa demais e não chama atenção. Podia ter sido melhor. Desde que foi anunciado Lovecom, já tinha decido comprar, pois é um dos shoujos mais divertidos que conheço. Já estou aguardando meu volume 01 chegar.

    Diferente de boa parte dos fãs de Shoujo, que parece não gostar de obras antigas, eu não vejo problemas nelas, pois adoro clássicos dos mangás. Por isso, apesar as vezes das piadas de Lovely complex serem datadas, não me incomoda muito.

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  6. Juntamente com Ouran, Lovely Complex é meu mangá preferido. Desde que assisti ao anime, em 2008, pedia o lançamento de LoveCom nas comunidades do Orkut. kkkkkk

    Vi que você citou Hana-kimi como traço datado… Já pensou em fazer uma resenha dele? Como fã de Ouran, vi-me na “obrigação” de começar a coleção de Hana-kimi e já encomendei na Amazon, mas queria muito ler resenhas BR sobre ele.

    No mais, excelente resenha! Bem informativa e com fotos reais do mangá. Virei leitora do blog! 😀

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  7. Me digam: se o anime fosse dublado no Brasil, quais dubladores serviriam para cada personagem?

    Quanto aos protagonistas, tenho sugestões:

    Risa Koisumi – Priscilla Koncepción (Temari em “Naruto”, Jade em “As aventuras de Jackie Chan”)
    Atsushi Otani – Charles Emmanuel (famoso por dar à voz ao “Ben10”, e outros personagens)

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