Resenha The Wedding Eve (Shiki no Zenjitsu), de Hozumi

Shiki no ZenjitsuConheça o novo josei da Panini!

Muitos foram pegos de surpresa quando no último fim de semana (mais exatamente no dia 21 de maio), a editora Panini divulgou um josei para seu catálogo de 2016. Exatamente, um josei. Uma das demografias que mais fazem falta em nosso país.   ‘The Wedding Eve’ (Véspera de Casamento, ou Shiki no Zenjitsu, no original) é um dos próximos títulos da Planet Mangá. A autora Hozumi lançou a obra em 2012 e possui um volume único que reúne 6 histórias distintas dentro do encadernado. O mangá foi publicado na revista Flowers, da editora Shogakukan. Chegou a figurar entre os mangás mais vendidos de 2012, rendendo quase 500 mil cópias ao todo.

weddingevecapaO mangá se divide em 6 one-shots. Abaixo, você confere as sinopses e comentários de cada uma delas.

  • Shiki no Zenjitsu
    Duas pessoas que dividem os últimos dias morando juntas antes da mulher se casar. 

    História que dá nome ao mangá, foi o capítulo mais confuso que li – o final é duvidoso, a relação entre os personagens também –, não entrando para a minha narrativa favorita.

  • Azusa Nigou de Saikai
    Um pai que visita sua filha quando a mãe não está em casa. 

    Esse sim foi ótimo e me deixou com os feels bagunçados; a autora trabalhou muito bem do início ao fim, me fazendo mudar drasticamente os conceitos que tinha com certo personagem – ah, ela é tão boa nisso.

  • Monochrome no Kyoudai
    Irmãos gêmeos que se reúnem para beber depois de 10 anos. 

    Capítulo que começa em um clima tenso e perdura nesse ambiente até a última página, mais um envolvendo irmãos.

  • Yume Miru Kakashi (Partes 1 & 2)
    Um homem que deixou a cidade 10 anos atrás, retorna para a cidade para o casamento de sua irmã mais nova. Lá, ele terá lembranças de sua infância. 

    Ocupa dois capítulos no volume e junto de Azusa Nigou de Saikai, foi uma das minhas narrativas prediletas, principalmente pelo desfecho feliz que a história teve.

  • Juugatsu no Hakoniwa
    Uma estudante colegial corre atrás de um escritor desconhecido. 

    Sai do ambiente fofo e leve que Yume Miru Kakashi introduz para levar o leitor ao sobrenatural. Esse sem dúvida é o capítulo mais tenso que há.

  • Sorekara
    Um gato observa as ações de seu dono rabugento. 

    Sorekara fecha o volume da melhor forma possível narrando uma história bem leve e calma, combinando bem com a mistura de tudo que há havia passado.

Shiki no Zenjitsu (4)Acredito que Shiki no Zenjitsu chegará ao Brasil com uma nova proposta não só pelo fato de pertencer ao grupo dos joseis, mas também pelo fato de se destacar mesmo dentro de sua própria demografia; o mangá não apresenta clichês frequentes em obras do tipo – como a existência de uma protagonista virgem, por exemplo. Alguns poderiam dizer que não há romance no mangá por não haver um casal principal e nem ao menos se tratar de um amor entre namorados ou noivos, como o nome do mangá pode sugerir, entretanto, a atmosfera construída por Hozumi se passa em um âmbito familiar, onde o que realmente importa são as relações fraternais e do gênero, tendo um toque de romance sim – mas não aquele tipo de ligação em que todos estão acostumados a associar logo de cara.

Shiki no Zenjitsu (8)O que mais me encantou no mangá foi o modo como a autora dá vida a cada história. Hozumi monta um ambiente em que o leitor é facilmente cativado pelos personagens, o envolvendo em um enredo melancólico, fazendo com que toda a trama possa ser bem contada mesmo com tão poucas páginas. As one-shots não são apenas tocantes, e sim, inteligentes. A autora prepara todo um terreno para familiarização do cenário, mas o final é recheado de plot twists – todos bem simples, mas nada forçados – a autora planta uma sementinha de dúvida na cabeça de cada um, mas não o faz pela obra ser mal trabalhada, corrida, ela faz isso como se fosse de propósito, procurando uma reflexão para cada desfecho que desenha. Cada capítulo flui tão naturalmente que não há como terminar o volume sem gostar de pelo menos uma história.

Shiki no Zenjitsu (7)Apesar de ter citado anteriormente que as “revelações” feitas pela autora são um grande atrativo, elas também influenciam de forma negativa para com a obra. Não fiquei surpresa ao visitar fóruns gringos e descobrir que muitos também haviam se perdido em determinadas one-shots, pedindo explicações sobre ponto x ou y. Confesso que eu mesma passei pela desagradável experiência de não assimilar uma parte crucial que levaria ao desfecho, me levando a ler de novo tais páginas para ver o que havia perdido. Shiki no Zenjitsu traz dois tipos de confusão na cabeça de quem lê, um ruim e um bom; o primeiro, o ruim, é considerado por mim nessa categoria pela falta de algumas informações que deveriam ser subentendidas, pela narrativa usada pela autora ao disponibilizar conteúdo, mas que em certos momentos não tão óbvias – admito que até agora estou em dúvida com um peça chave do capítulo um – o segundo, o bom, seria justamente o que citei no parágrafo anterior: a autora leva uma reflexão para fora do mangá sobre o que realmente aconteceu, fazendo com que o leitor crie hipóteses sobre. A verdade fica a gosto de cada um.

Shiki no Zenjitsu (6)Sei que muitos que acompanham shoujos não acompanham joseis. É fácil afirmar isso apenas observando grupos, sites, animes e mangás que são voltados para o nicho, a maioria tem grande enfoque para a primeira demografia do que para a segunda. Anos atrás eu tinha um certo preconceito com mangás josei, principalmente pelo fato de não apresentarem um “padrão de traço”, serem muito diferentes ou feios, esteticamente falando – tanto que demorei um tempão para querer ler Kuragehime, coisa que me arrependo profundamente. Shiki no Zenjitsu seria uma ótima tacada inicial para aqueles que querem se aprofundar no maravilhoso mundo dos joseis, mas ficam com um pé atrás quando se trata de desenhos. A autora tem um traço mais realista, foge dos traçados redondos de shoujo, dos brilhos que surgem de repente, porém tem uma arte bonita e delicada.

Shiki no Zenjitsu (2)Há uma grande diferença entre acompanhar um Lovely Complex da vida recheado de bom humor, de romance colegial, de brilhinhos de shoujo e pegar um josei que se trata de forma tão séria. E não, não é pelo fato de pertencerem a demografias diferentes – Chihayafuru está aí para comprovar que joseis podem pegar tanto o público maduro como o mais jovem – e sim pelo fato de que Shiki no Zenjitsu não ser feliz em sua maior parte, por carregar um clima sobrenatural que pesa na história e por ser composto basicamente de drama. Ele carrega algo real dentro de si e seus momentos de tristeza são tão tocantes que não há como tratá-lo da mesma forma que outros títulos dramáticos.

Shiki no Zenjitsu (3)

The Wedding Eve chega em meados de 2016 nas bancas pela editora Panini e você poderá conferir todos os detalhes da edição nacional aqui.

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5 comentários sobre “Resenha The Wedding Eve (Shiki no Zenjitsu), de Hozumi

  1. Com certeza irei comprar! Não estou aguentando mais esses traços dos shoujos ;-; algo diferente será bem interessante…
    Eu não estou acostumada com josei(que eu tenho notado, pois eu posso até ter lido mas não me importa muito o gênero ), mas acho esse traço bem bonito(melhor que shoujo… Aqueles olhos redondos e brilhantes… Não são pra mim ^^).
    Acho que já li esse daí… Pelo menos já tinha visto a capa. Francamente.
    Estou esperando feito uma louca para sair logo esses lançamentos antes de ter mais anúncios.
    Aí meu dinheiro vai estar todo certinho e com rotina…

    Estou divagando muito xD

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  2. Pingback: Checklist – Panini: Julho de 2016 | ChuNan! - Chuva de Nanquim

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