Primeiras Impressões: Anagura Amélie, de Sato Zakuri

primeiras impressõesA nova história da autora de Mairunovich.

Para os que me conhecem desde a época em que escrevia sobre shoujos no Chuva de Nanquim devem saber que gosto muito da Sato Zakuri como autora. Mairunovich, uma das últimas séries da mangaká, está na minha lista de favoritos; fiquei tão obcecada com a história que quando não haviam mais capítulos traduzidos na scan gringa comecei a caçar no Tumblr – e por sorte consegui achar, yay! A felicidade não foi outra ao saber que Zakuri lançaria Taihen Yoku Dekimashita., shoujo que desta vez poderia acompanhar fielmente. Porém, não fiquei contente com a nova “dinâmica” que a autora adotou – procurando desenvolver primeiro a questão amorosa da protagonista e depois um problema que considero inferior, deixando esse como o “grande desfecho” – e talvez até a própria mangaká, ou a editora, tenham tido a mesma impressão, já que a obra teve apenas cinco volumes. Anagura Amélie seria um novo começo, e uma nova chance, para Sato Zakuri.

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Morikawa Amelie não tem interesse amoroso. Não quer saber de garotos e tem um único interesse: manter o seu hobbie de “ser solteira”, aproveitando para assistir seus filmes sozinha e sendo feliz dessa forma. A garota é conhecida como “Mononoke” em sua sala de aula, e assim como ela, possui amigas não muito normais. Ainda assim, sua visão sobre o amor ainda pode mudar da forma mais inesperada que ela possa imaginar.

A primeiro momento esse post não seria apenas de Anagura Amélie. Havia escrito sobre alguns títulos baseado no primeiro capítulo de cada um, com sinopses e no máximo dois parágrafos de opinião. Minha primeiríssima impressão sobre a nova obra de Sato Zakuri não havia sido boa, era uma nova decepção em 45 páginas.

IMG_3377Sato Zakuri introduz duas novas características em Anagura Amélie: a primeira é pelo fato da protagonista finalmente ter amigos desde o início – parece que até Taihen o “charme” das heroínas era ser a isolada diferentona sofredora de bullying -, mas como não dá para mudar tão radicalmente, as companheiras de Amelie também são do grupinho das “fracassadas”. Melhor grupinho não é mesmo? A segunda mudança foi com o protagonista masculino da autora. Ah… Que decepção. E é com uma trilha sonora triste do Spotify que digo como a montagem da personalidade dele foi um erro. Algo que sempre amei nas histórias da autora foi o modo como os “mocinhos” se comportavam – no estilo de “sou bonito, não ligo para popularidade, te dou bronca, mas sempre vou estar aqui quando precisar” -, mas parece que a sensei resolveu jogar isso fora! A primeiro momento ele é popular, mesquinho, dá atenção para sua fama e ignora a protagonista. Ah! Ele também tem um cabelo horroso.

IMG_3383As duas amigas de Amélie tem personalidades diferentes, escondendo suas habilidades da vida escolar que as cerca. A primeira, Noriko Chuusonji, é uma garota bem normal no ambiente escolar, do tipo que usa óculos e não se importa com as aparências, mas nas redes sociais ela se transforma em uma bela e popular referência, mas esconde isso dos colegas, adotando até mesmo um pseudônimo. A segunda, Monako Anzai, é o que ela mesmo diz ser. Feia. Mas apesar de não ter sido abençoada com um rosto bonitinho é um ótima cantora que posta vídeos no YouTube – vestindo uma máscara de porco porque “as pessoas não querem ver rostos feios”. Ambas seriam ótimas protagonistas para as histórias da autora e é exatamente isso que me preocupa. No capítulo seis há um acontecimento que me deixou com receio sobre os possíveis rumos do mangá, me levando a suspeita de que talvez um futuro desenvolvido individual para as três esteja por vir; como disse lá em cima, a obra é como um território a ser explorado pela mangaká, e um dos riscos nesse quesito é que, se ela se arriscar mesmo nesse trajeto, a protagonista poderia muito bem ser ofuscada – particularmente criei um afeto maior pela Noriko, acho que é porque ela me lembra a Mairu, mas, cara, mexer com os sentimentos da redatora não vale, Zakuri.

IMG_3375Com relação a Teito Minamizato, o novo “herói”, não se trata de receio, mas sim de incômodo. Ele com certeza faz mais o tipo idiota babacão, se afastando do meu tipo ideal – chamado Tenyuu Kumada, saudades Mairunovich, sos. Mas a reclamação não está só no personagem e sim no romance que há entre ele e Amélie; novamente a autora investe em uma aproximação rápida por parte de ambos, fazendo com que eles se tornem um casal bem rápido. Da última vez – vulgo Taihen Yoku Dekimashita. – foi exatamente nesse ponto em que a história desandou por completo, deixando o restante do mangá broxante. Um namoro logo de início me incomoda principalmente pelo fato de que provavelmente haverá situações desnecessárias – sério que há necessidade de colocar rivais quando eles já namoram? Porque tenho certeza de que vai acontecer – e, mais uma vez, abrirá espaço para que eles não sejam o “best couple” correndo o risco de terem seus lugares roubados por personagens secundários.

IMG_3380Devo confessar que essas mudanças me preocupam. Finalmente há mudanças na composição de história da Zakuri, mas por ser a primeira vez que ela faz isso é arriscado; Anagura Amélie é uma nova experiência e pode resultar em uma catástrofe.

IMG_3373É engraçado como meus leitores tem uma mania de quase prever sobre o que vou ler ou escrever. Na resenha do volume dois de LoveCom postada aqui no site uma leitora havia comentado como a nova obra da Zakuri estava uma vergonha; na hora concordei principalmente pelo fato de ter lido só o capítulo de número um, mas, talvez, agora me arrependa um pouco. Acredito que ela decaiu, e muito, e continuo a espera de algo no nível dos shoujos antigos, mas é porque eu sou fã, porque sei o potencial da autora e anseio por mangás que me deixem tão agitada a ponto de querer o próximo capítulo antes de terminar de ler o atual. Sou fã, mas não sou cega. Ela, definitivamente, já escreveu coisas melhores. Então, sendo honesta, não é desta vez que Zakuri fará algo que mude o mundo da demografia; nesse momento ela faz algo que muda seu próprio mundo, a visão dos que a acompanham, e que traz novidades para quem a conhece; porém ela não faz nada de diferente do que fãs de shoujo já não tenham visto. Acredito que a autora esteja em uma fase de transição, mas também acredito que até haver um “boooom!” nessa nova etapa ela precisará muito mais do que apenas Anagura Amélie. Até lá pretendo continuar dando apoio a Sato Zakuri, seja lendo obras que me agradem ou não. Para fãs e futuros fãs, tenho esperanças de que haverá uma grande evolução nisso tudo.

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Fotos da revista Margaret edição 5/2016. O material das imagens foi adquirido pela redatora.
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3 comentários sobre “Primeiras Impressões: Anagura Amélie, de Sato Zakuri

  1. Ameeeeeeei sua resenhaaaaa! É exatamente o que eu penso sobre a obra e seus capítulos iniciais. Mas estou amando do mesmo jeito também e espero sempre o melhor da Zakuri-sensei ❤
    As fotos também ficaram ótimas, Miyuki! Você faz elas sozinha? A edição, foto, tudo! Amo seus posts assim. Continue! x33

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi, Diana! Não sou profissional, mas sempre procuro tirar as fotos com boa iluminação e, se preciso, refaço o trabalho uma, duas, três vezes. Faço elas sozinha até certo ponto, uhauhaha, a edição fica por conta do revisor e designer, Dih! Ele deixa o resultado ainda melhor. XD
      Obrigada pelo carinho e pelo comentário. Por favor, volte mais vezes. ❤

      Curtir

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