Resenha Ore Monogatari, de ARUKO & Kazune Kawahara (Volume 1)

ore monogatari review headerChegou a hora de Takeo brilhar!

Depois do ressurgimento dos shoujos pela Panini com AohaRaido e Lovely Complex, a editora decidiu não parar por aí e continuar com o seguimento utilizando obras de sucesso. E para não ficar apenas atrás de obras antigas ou finalizadas, a aposta foi em um título ainda em andamento e que havia conquistado o público com seu anime: Ore Monogatari!!

Com sua comédia envolvente, um visual nada convencional e a ideia de desconstrução da demografia, o mangá tenta agora abraçar públicos feminino e masculino ao mesmo tempo. O primeiro através de seu romance “fofo”. O segundo através de sua comédia. Será o suficiente para isso? Ore Monogatari!! pode conquistar o seu espaço nas bancas de nosso mercado emergente? É o que essa resenha tenta apresentar.

Ore Monogatari Volume 1 Resenha Panini Mangá ARUKO Kazune Kawahara Review (1)A HISTÓRIA

Gouda Takeo é um aluno do primeiro ano do ensino médio (mesmo não parecendo, já que pesa 120kg e sua altura é de 2 metros). Ele passa seus dias tranquilamente com o popular-com-as-garotas, insensível e amigo de infância, Sunakawa Makoto. Em uma manhã, enquanto ele estava em um trem à caminho da escola, Takeo salva uma garota, Yamato, de ser molestada por um pervertido. Ao tentar agradecer, Yamato acaba gerando pensamentos que Takeo não sabe bem como lidar, e caberá ao seu amigo Suna dar um empurrãozinho em um novo capítulo da vida de nosso “gorila estudante”. Esse poderia ser o começo da primavera para Takeo?

COMENTÁRIOS GERAIS

Ore Monogatari escolhe ser integrante do time dos shoujos não lerdos, fazendo com que nesse primeiro volume tenha um desenvolvimento considerável entre Takeo e Yamato; uma ótima notícia para aqueles que tem ódio mortal, trauma, arrepios ao lembrar de obras que se apoiam no complexo de Kimi ni Todoke – aquele mangá com 26 volumes, em andamento, que tem rumo para o nada – e que já comentamos sobre ele AQUI. Porém, é um risco a se correr. Romances rápidos sempre deixam a seguinte pergunta no ar: “sem um romance típico a ser trabalhado, no que a obra se apoiará?“. Várias autoras já caíram nessa furada, seja de obras populares ou não – Sukitte Ii Na Yo, de Hazuki Kanae, e até o curtíssimo Taihen Yoku Dekimashita., de Sato Zakuri fazem parte da listinha. Seja qual for o objetivo, o verdadeiro plot precisa se mostrar logo e de forma consistente, antes que se torne mais um mangá mal desenvolvido e recheado de baboseiras. É aqui que ele mostrará seu verdadeiro potencial.

Ore Monogatari Volume 1 Resenha Panini Mangá ARUKO Kazune Kawahara Review (6)Se fosse descrever Takeo Gouda em apenas uma palavra, essa seria único. Além do protagonista de um mangá shoujo ser um personagem masculino, ele ainda sai do estereótipo de herói típico de romances colegiais. Por fora, um personagem rude, indelicado e desprovido de beleza, mas por dentro o ser mais sensível da obra que, mesmo sendo mal interpretado diversas vezes por causa de sua aparência, não desiste de ajudar as pessoas. Do outro lado, temos o amigo, Sunakawa Makoto, o verdadeiro “príncipe” da história; em um primeiro momento é um garoto sério e frio, que não parece ter (tanto) interesse em garotas mesmo sendo popular. Ele é interessante. Acreditava que Suna seria um babaca – no estilo de Kyouya de Ookami Shoujo to Kuro Ouji, que é um idiota sádico com a garota que gosta -, mas ele me surpreendeu, mostrou que pensa mais nos outros do que parece e que sua arrogância não é, de fato, arrogância; inclusive, os primeiros capítulos de OreMono mostram muito mais a relação de ambos os garotos do que o relacionamento de Takeo com Yamato – ou seja, best ship ever, aceitem. Por último, temos Yamato, que poderíamos chamar de heroína da obra, tendo uma personalidade mais graciosa, tímida e que faz ótimos doces – jogar os nomes dos doces que ela faz no Google é pra atiçar qualquer lombriga, que desgraça.

Posso estar sendo precipitada, porém acredito que ao vender mangás shoujosainda mais em um mercado em ascensão, como é o nosso – exige muito mais do que uma boa história para ser vendida, ainda mais quando tal produto é voltado para o público feminino. Comparar traços de shounen e shoujo é fácil, normalmente no último se vê desenhos mais trabalhados, com mais detalhes e, se o leitor for além, pode ver como a qualidade de revistas japonesas das demografias são diferentes – provocado pela periodicidade de capítulos lançados.

Ore Monogatari Volume 1 Resenha Panini Mangá ARUKO Kazune Kawahara Review (5)Quando se trata da parte estética, Ore Monogatari é, no mínimo, interessante. Uma coisa é fazer expressões cômicas em seu personagem em determinadas cenas – característica que Kouda Momoko usa e abusa, por exemplo – outra é deixar que tal personagem exista durante todo o tempo. Com arte de ARUKO, o mangá consegue ser delicado ao apresentar Yamato, lindo ao mostrar Sunakawa e divertidíssimo ao deixar Takeo representar tudo o que “um macho é”. E o resultado? Uma ótima comédia que está muito além de mostrar rostinhos bonitinhos comum na demografia. A obra é uma mistura de 8 e 80, jogando a proposta de agradar não só aqueles que compram um mangá pela capa, mas também para os que querem sair do convencional.

Com relação a edição brasileira, gostaria de dar uma atenção maior para as adaptações feitas; com certeza isso é algo que só as pessoas que acompanharam o anime antes de adquirir o mangá entenderão. A minha principal queixa, e talvez a única, seja voltada para como traduziram as falas dos personagens, aliás, como as reproduziram quando se tratava do Sunakawa. O Suna do anime (ou do próprio mangá japonês) e o Suna desse volume trazido pela Panini tem uma pequena diferença: enquanto um é simplesmente sério o outro, em diversos pontos, chega a ser grosseiro. Se minhas contas não estiverem erradas, na página 36 da edição nacional há um momento em que Takeo pergunta: “você fez isto aqui… Com as mãos?!”, enquanto Suna responde: “não, com o nariz. Como você acha que alguém cozinha?”. Na raw do primeiro capítulo disponibilizada pelo site da editora japonesa Betsuma – a qual todos tem acesso sem precisar de registros e semelhantes -, Suna responde a pergunta do amigo da seguinte forma: “手作りな. 手では焼かないだろうな”, que adaptado seria algo como “Ela mesma cozinhou, quer dizer. Não dá pra “cozinhar” nas mãos.” que na verdade é um trocadilho envolvendo os kanjis , que querem dizer a mesma coisa, mas em situações diferentes – somente o primeiro é usado em casos de cozinhar. Essa e outras expressões acabam tornando Suna em um garoto rude e mal educado na edição nacional, algo que ele não é. Isso descaracteriza um pouco o próprio personagem, uma vez que ele ser certinho é o que realmente o torna tão interessante para todas as outras garotas e um completo oposto de Takeo. Suna não é o Kou de AohaRaido, e espero que isso seja revisto nos próximos volumes da série – além do excesso de expressões paulistanas demais no repertório dos personagens.

Ore Monogatari Volume 1 Resenha Panini Mangá ARUKO Kazune Kawahara Review (8)Acredito ser tão importante ressaltar o fato de Sunakawa não ser um personagem ignorante pois nesse parágrafo ele volta a aparecer, mesmo que como coadjuvante. Aliás, é exatamente isso o que ele realmente é, a sombra de um protagonista que normalmente não ocuparia esse lugar. Essa é mais uma das novidades que OreMono proporciona aos leitores: Takeo é a verdadeira estrela do mangá e, ao contrário do que geralmente se anseia, é como se ele não precisasse de mudança nenhuma; ele não precisa se tornar um príncipe, ele não precisa ser a cara de seu melhor amigo. Sunakawa é outro que surpreende. Durante o desenrolar da trama ele toma a posição de “indiferente”, como se nada o afetasse, como se o mundo pudesse acabar que a calmaria dele permaneceria a mesma e não, não se deve ter sua personalidade comparada com vários babacas de shoujo, porque o Suna é sério e introvertido, e do próprio jeito consegue se mostrar gentil da mesma forma que Takeo é.

Ore Monogatari Volume 1 Resenha Panini Mangá ARUKO Kazune Kawahara Review (4)No mais, não há sobre o que reclamar. O mangá conta com seu nome original, sendo traduzido apenas para o uso de um subtítulo; para aqueles que se acostumaram com o “My Love Story”, até o momento, somente a editora americana Viz Media tem posse dele – e, para deixar claro, “Minha História” é a tradução literal do original, não houve mudanças. Assim como Lovely Complex, OreMono não conta com sinopses no volume ou numeração de capítulos, e não há páginas coloridas – assim como no original. A série chega as bancas com o preço de R$13,90, com periodicidade bimestral.

No Japão, o mangá de ARUKO e Kazune Kawahara é publicado desde 2011 na Bessatsu Margaret, da Shueisha, onde a obra se encontra com 12 volumes – o volume 13 deverá ser o último. Foi a série vencedora do 37º Kodansha Manga Awards com o prêmio de melhor mangá shoujo no Japão. Além disso, ganhou um capítulo crossover com Aoharaido, da mesma revista, e dois capítulos com Nisekoi, da Shounen Jump. Já sua adaptação em anime foi lançada em janeiro de 2015, além de um filme live-action lançado em outubro do mesmo ano.

Ore Monogatari Volume 1 Resenha Panini Mangá ARUKO Kazune Kawahara Review (2)CONSIDERAÇÕES FINAIS

Continuarei minha coleção do mangá não só por ser divertido, mas também por não ter acompanhado todo o anime. Quero ver até que ponto esse mangá tão diferente se mostrará uma revelação, como a autora chegará ao auge e se algumas das minhas previsões – que guardei para mim – se concretizarão.

Por fim, recomendo a leitura do primeiro volume para todos. Todos mesmo. Se você, leitor, for homem e tiver o mínimo de curiosidade de entrar no mundo dos shoujos, essa é uma ótima oportunidade. Ore Monogatari não é a história de uma garotinha, é a história de um cara, um brutamontes, que traz uma concepção diferente do que vemos na demografia.

E como diz o ditado: “Gorilas também amam.”

*O material desta resenha foi adquirido pela redatora.


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8 comentários sobre “Resenha Ore Monogatari, de ARUKO & Kazune Kawahara (Volume 1)

  1. Fiquei surpresa (e muitíssimo feliz!!!) quando vi esse mangá na Fest Comix! É uma história que vale muito a pena. Só fico preocupada com essas traduções do Suna que você mencionou, porque ele é um amor de personagem!

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  2. Que resenha maravilhosa, Miyuki! Estava aguardando sua opinião para me decidir se comprava ou não a obra e definitivamente me conquistou!
    Não gostei disso que falou sobre a descaracterização do personagem. A Panini sempre foi minha editora favorita justamente por prezar pela fidelidade comparada a JBC, por exemplo. Espero que tenha sido apenas uma infeliz escolha de palavras.
    Aguardo mais textos seu! Beijão!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Vim parar na página totalmente sem querer porque vi o post do Facebook e amei a história desse mangá que eu nem conhecia. shauhsushshs
    Vou compraaaaar porque seu texto me convenceu! Cobra a Panini por comissão!! hshuahsushsuhs

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  4. Bela resenha para uma bela obra, confesso que quando comecei a acompanhar a obra tive aquele pré-conceito por ser um shoujo, afinal ainda estava com aquele ranço na boca depois de dropar o Aoharaido (não que seja ruim, mas para mim foi uma obra meio indigesta). Adorei a ousadia do autor em fugir do normal ainda mais em um mercado tão estereotipado (como todos os mercados de mangá), é uma delicia de mangá para acompanhar, te deixa mais leve depois que termina a leitura, além do senso de humor que conseguiria arrancar uma risada até do Sunakawa.

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  5. Não sabia do “erro” de tradução na parte do Suna, espero que não volte a acontecer, gosto bastante dele. Eu li o mangá sem saber praticamente nada da história, pois não vi o anime. Pensei que eu não iria gostar, mas acabei me divertindo bastante. Mal posso esperar pelos próximos.

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