Primeiras Impressões – Orange (anime), de Takano Ichigo

orange - primeiras impressoesAs primeiras impressões são as que ficam.

Já devo ter citado isso umas dez vezes em posts do Chuva de Nanquim, mas cito aqui também para novos leitores: raramente acompanho animes da temporada. Sou do tipo que junta uma temporada toda e maratona durante a madrugada – ou costumava a ser assim quando tinha algo chamado tempo. Pensei que essa seria uma ótima oportunidade para pegar um anime, sem abandonar, e comentar sobre ele. E por que não o maravilhoso, o queridinho, xodó e dramático Orange? Com o mangá já finalizado, no que a adaptação em anime poderia decepcionar? Resposta: em vários aspectos. E é quebrando a cara que começo esse primeiro post, e talvez último, sobre o anime originado do mangá de Takano Ichigo.

Orange - Anime - Primeiras Impressões - Episódio 1 (1)Em anos no mundo das otaquices, nunca pensei que reclamaria de um tópico em específico: a falta de emoção em uma adaptação, ou, um erro trágico no roteiro. Isso mesmo, o anime peca, e muito, quando se trata de mostrar mais os sentimentos dos personagens, aliás, de poder dar uma base para eles. A adaptação e o mangá mostram duas “Nahos” diferentes; enquanto a primeira nem ao menos reflete sobre a situação que está passando, a outra constantemente vive se questionando sobre a tal carta recebida e como ela pode afetar tudo. Metade dos pensamentos da Naho simplesmente somem no anime, sendo fundamentais para a construção de não só um verdadeiro clima de romance como também para dar aquele ar de curiosidade que o mangá carregava consigo até revelar seu mistério. Enquanto a obra original me despertou interesse e me deixou aos prantos logo no início, o anime nem ao menos conseguiu me deixar com vontade de assistir um próximo episódio.

Orange - Anime - Primeiras Impressões - Episódio 1 (10)Ainda sobre a falha na direção e roteiro, devo dar uma ênfase para dois momentos importantes nesse primeiro episódio, ambos onde o “casal principal” aparece: o primeiro é quando Kakeru e Naho conversam na arquibancada, o segundo é após o jogo onde o garoto vai atrás da heroína para cuidar de seus ferimentos. Sobre a primeira cena, é desenvolvida com buracos durante o diálogo e de certo silêncio também, me levando a questionar algo como: “e é assim que uma paixão aparece? Que terrível.foi basicamente uma conversa vazia, que não transmitia sentimento nenhum, um completo nada. A segunda cena tem parte dos pensamentos da Naho cortados – como explica o parágrafo anterior -, sendo essenciais como na hora em que Kakeru diz que ele notou que a garota estava machucada; um grande erro aqui, pois no original, ela não só pensa em algo como “então ele reparou” como também complementa com o fato de ter ficado feliz por Kakeru ter notado seu machucado. São os mínimos detalhes? São, são sim, mas são eles que fazem a diferença e são eles que farão falta.

Orange - Anime - Primeiras Impressões - Episódio 1 (8)É engraçado ver o anime aderiu a uma Naho que é (quase) indiferente para as cartas que recebeu. Uma cena que afirma perfeitamente meu argumento é quando ela escreve no diário sobre o dia que vivenciou e compara com o que há nas cartas; o anime só mostra o fato de que ambas são praticamente iguais, tendo a letra e conteúdo semelhantes. A Naho original fica assustada, ela joga tudo para longe dela, chegando a pensar: “se tudo isso for real, se for mesmo assim, então eu não quero ler. Ou futuro ou o que for, eu não sei se quero saber sobre isso.” Cadê a Takano Ichigo para ficar brava com o roteiro? Cadê?

O que surpreendeu boa parte dos fãs foi a revelação do visual adotado, optando por traços mais “realistas” na adaptação. O responsável por isso é o character design Nobuteru Yuki, o mesmo que cuidou da aparência de Paradise Kiss – que segue o mesmo padrão para a época em que foi lançado. Sinceramente, no geral não me incomoda, mas tem horas em que os personagens ficam meio macabros – como é o caso da Azusa na imagem abaixo.

Orange

A verdadeira preocupação – além da direção/roteiro estar afetando diretamente a obra – é um dos estúdios responsáveis, o TMS Entertainment. Para os que não entendem de assuntos do gênero, o estúdio tem um baixo orçamento, que resulta em uma qualidade inferior na animação; além disso, o mesmo se encontra com mais uma série nessa temporada, sendo o outro, Amaama to Inazuma – que está ainda mais decadente que Orange. Ainda vale ressaltar que o TMS foi o responsável pela produção de Saint Seiya – Lost Canvas, que teve seu anime ‘cancelado’ – com fatores que indicam que foi por falta de verba. Acredito que Orange só não se encontra em uma situação tão precária, pois conta com outro estúdio, o Telecom Animation Film – o responsável pelas adaptações de Kamisama Hajimemashita e Yowamushi no Pedal. Mas, claro, o que todo esse “blá, blá, blá” técnico quer dizer? Quer dizer que imagens como essa abaixo, onde o frame é tão ruim que os personagens parecem não ter olhos – ou olhos dignos de animações do ano de 2010.

Orange

Mas nem tudo no anime de Orange são rosas murchas. A obra ainda conta com ótimos dubladores como, por exemplo, a talentosa Kana Hanazawa – a mesma seiyuu que fez Akane em Psycho-Pass e Tsukimi em Kuragehime – dando vida a voz da protagonista Naho, sendo sem dúvida, a mais experiente e influente comparada a seus colegas. Um nome que também dá para destacar é o de Makoto Furukawa, Suwa em Orange, que apesar de não ter grandes papéis em seu currículo, fez o hilário Saitama, de One Punch-Man, anime que foi ao ar em outubro do ano passado. O elenco também conta com a participação de Kazuyuki Okitsu, interpretando Hagita; o seiyuu dublou Jonathan Joestar em JoJo’s Bizarre Adventure. Além dos três citados anteriormente, ainda há Natsumi Takamori como Azusa, Seichiirou Yamashita como Kakeru e Rika Kinugawa como Takako – sendo a última, a mais “inexperiente” do grupo. Embora os seiyuus não tenham uma carreira igual a Kana Hanazawa, nenhum deles me causou estranheza para com os personagens feitos; só costumo reclamar quando alguma voz irritante assombra a animação – alguém lembra da Yamato de OreMono? Então.

Apesar de n pontos decepcionantes, o cenário da animação está bem caprichado, adotando a cidade de Matsumoto, prefeitura de Nagano, como referência.

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Em alguma coisa ele tinha que acertar, não é?

Me sinto frustrada com o anime de Orange. Não me sinto frustrada como redatora ou como administradora de um site de shoujos e joseis, e sim como fã. Se isso fosse um live-action o desgosto poderia ser justificado – afinal de contas, sempre fazem mudanças drásticas em duas horas de filme -, mas isso é uma animação, aquilo que, supostamente, não deve ter tantos erros, que deve ser fiel a sua obra original. Fiel em todos os sentidos. Isso não é baseado em um mangá qualquer, e sim um digno de vendas que mesmo depois de ter perdido seu posto na maior revista de shoujos do Japão, conseguiu se reerguer, vender milhares de cópias, ganhar um filme e ter o privilégio de ser publicado em várias partes do mundo, inclusive aqui.

Orange - Anime - Primeiras Impressões - Episódio 1 (11)Embora meu descontentamento seja grande – a ponto de parecer haterismo – continuarei acompanhando o anime, porém sem grandes expectativas agora, pois acredito que se não for pelos fãs, ele nem ao menos vingará com o público que não conhece o original. Basta ter um pouquinho de senso crítico para ver que alterações deveriam ser feitas, que desse jeito ele não está em seu auge. Enfim, vamos ver se mais tragédias aparecerão ao longo de 13 episódios.

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3 comentários sobre “Primeiras Impressões – Orange (anime), de Takano Ichigo

  1. Eu tive uma impressão bem mais positiva do animê, mas acho que isso se deu pelo fato de este ter sido meu primeiro contato com Orange (não li o mangá). Não sei se os detalhes cortados chegam realmente a prejudicar a adaptação. Eu pessoalmente consegui captar bem o clima que a série quer entregar já nesse primeiro episódio. Detalhes geralmente enriquecem, são coisas que deixam o “bom” melhor. Sinceramente acho a base da história muito mais importante e creio que o animê vai conseguir se sustentar com a premissa que apresentou. Mas isso é uma opinião baseada nesse meu primeiro contato. Quem sabe o dia em que eu ler o mangá eu venha a sentir o peso desses detalhes apontados.

    Sobre a animação, eu gostei dela no geral. Frames como aquele que usou de exemplo acontecem em todos os animês, até porque não tem como todos os quadros de animação serem perfeitos, sempre haverão imperfeições e distorções se tratando de frames. Gostei bastante do traço mais “realista”, achei ele visualmente refrescante, Também gostei muito dos cenários (estão muito, muito bonitos mesmo) e das músicas.

    Enfim, eu gostei bastante do que vi no primeiro episódio, me cativou e me deixou bem curioso. Com certeza vou continuar assistindo :DD

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  2. Algo que acho que faltou comentar foi sobre a trilha sonora do anime. A abertura e encerramento estão ótimos, e o pouco mostrado das músicas dentro do episódio ficou muito bom também.

    Quanto a sua crítica concordo com muito do que foi dito, mas há muito tempo decidi parar de ligar pra esse tipo de coisa em adaptações e assistir animes só pra me divertir. A única coisa que ainda questiono e critico bastante é a história, mas de resto eu não me importo muito, tanto que as vezes nem percebo esses problemas de animação que você indicou (não percebi a animação ruim dos episódios de DBSuper até me mostrarem, então esses defeitos de Orange nem tinha notado).

    Já da falta dos pensamentos da Naho, acho que dava pra tirar muita coisa do anime, mas realmente tem uns pensamentos que faltaram e isso afetou o desenvolvimento da personagem. Espero que isso melhore nos episódios seguintes.

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  3. Eu realmente esperava muita coisa do anime, acho que a maior decepção foi por causa disso. Normalmente adoro quando uma obra que gosto é adaptada par anime, porque gosto mais de como as coisas fluem nos animes. Gosto quando, mesmo conhecendo a história, fico ansiosa pelos próximos episódios. Gosto do frio na barriga quando começo a shippar um casal. Gosto de me emocionar com roteiros bem elaborados. E,infelizmente, nada disso aconteceu. Vou continuar assistir? Claro, pois sou fã da obra. Mas, pelo visto, não será o shoujo do ano como pensei que fosse ser.

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