Resenha: Requiem of the Rose King, de Aya Kanno

rose-king-reviewE quem disse que shoujo é tudo igual?

Se você gosta de shoujos, muito provavelmente já deve ter ouvido algumas frases de pessoas que simplesmente tem um certo preconceito com a demografia sem ao menos conhecê-la. Coisas como “é sempre igual” ou “shoujo é chato” são frases manjadas desses seres que se restringem a pensar pequeno, e pensando nisso, trouxe uma resenha de uma obra que é shoujo, mas não é de romance colegial. Eu disse, “não é de romance colegial” – dando ênfase aqui. E apesar de não apresentar a temática mais comum no nicho, ainda sim pode ser tão boa quanto e ser… shoujo! Deixe implicância de lado e conheça Requiem of The Rose King!

requiem-of-the-rose-king-manga-viz-shoujo-aya-kanno-2A HISTÓRIA

Richard, o ambicioso terceiro filho da Casa de York, acredita que ele é amaldiçoado, condenado desde o nascimento até a escuridão eterna. Mas é realmente o destino que o coloca no caminho para a destruição pessoal? Ou seus próprios anseios o torna atormentado? Com base na peça de Richard III, de Shakespeare, a fantasia obscura de Aya Kanno encontra o homem que poderia ser o rei em pé entre os dois mundos, entre as classes, e entre o bem e o mal.

requiem-of-the-rose-king-manga-viz-shoujo-aya-kanno-1COMENTÁRIOS GERAIS

Aya Kanno (Otomen) lançou o mangá em 2013 na revista Monthly Princess, da editora Akita Shoten, e atualmente a série conta com 6 volumes lançados. O título foi indicado ao Kono Manga ga Sugoi! (Esse Mangá É Incrível!) na edição de 2015 na lista das vinte melhores séries para o público feminino, ocupando o décimo sétimo lugar.

Requiem of the Rose King (ou Baraou no Souretsu, no original) é publicado pela editora estadunidense Viz Media desde março de 2015, custando $9.99 – cerca de R$32,00. É classificado pela editora como um mangá de drama e romance, sendo recomendado para adolescentes mais maduros e adultos.

Confesso que obras de época, temas medievais ou mesmo dos primórdios da humanidade não me interessam em nada se não for com o intuito de estudo. Isso vale para todos os tipos de entretenimento – desde mangás até doramas -, simplesmente não gosto, não me desce, não me agrada. Porém resolvi deixar o preconceito de lado com Rose King. Ou melhor, eu nem ao menos sabia do que a série se tratava graças a minha péssima mania de começar a acompanhar histórias sem ler a sinopse, por isso devo dar um único conselho para aqueles que forem se aventurar nesse shoujo. A dica é ter um conhecimento básico da Guerra das Rosas e, consequentemente, saber um pouco sobre quem participou também; a autora acaba guiando o leitor que não tem tal consciência, mas, acredite: a obra se torna realmente incrível se há uma bagagem já pronta.

requiem-of-the-rose-king-manga-viz-shoujo-aya-kanno-7Nesse sentido, o mangá pode se tornar um estorvo para muitos. A linguagem um pouco mais rebuscada – ainda mais por se apoiar nas obras de Shakespeare -, a quantidade de informações, a importância de cada personagem… Absorver tudo em uma hora de leitura é maçante e até pesado, Requiem of the Rose King pode facilmente ser taxado de “chato e entediante” devido ao seu tema e, para piorar a situação, a série não tem nenhum alívio cômico. A trama é séria da primeira até a última página.

Apesar disso, fiquei intrigada com o que li (e no bom sentido). Longe de menosprezar shoujos colegiais – até porque eu os amo -, mas acredito ser importante sair da zona de conforto e investir em uma leitura que apresenta conteúdo e, ainda por cima, conteúdo diferenciado. Sem contar que esse mangá é justamente o tipo que sai do padrão da demografia, é aquele em que acaba sendo vendido com uma outra espécie de “rótulo” para aqueles que acham que todas as tramas dentro dessa comunidade são iguais. O mais engraçado é que uma obra que nasceu da mesma autora que escreveu um plot sobre um garoto que gostava de coisas de garota. A versabilidade da Aya Kanno com certeza é chocante – ou, como é dito no português dos brasileiros: “parece que o jogo virou, não é mesmo, queridinha?”. Brincadeiras a parte, devo dar os devidos a narrativa da mangaká, não só por buscar temas alternativos e sim porque ela deve ter investido muito tempo estudando os acontecimentos da época. O que ela passa para a série não é um conhecimento que se tira de qualquer fonte suspeita do Google.

requiem-of-the-rose-king-manga-viz-shoujo-aya-kanno-10O que mais me instigou durante a leitura do volume, e que também me estimulou a continuar com a série, foi principalmente o mistério por trás do personagem principal, Richard. Como comentei anteriormente, Requiem of The Rose King tem diversas referências a Guerra das Rosas e de Shakespeare também, e como se trata de uma figura que realmente existiu, acredito que a principal dúvida se deve ao modo como a autora construirá seu protagonista. Para esse tópico, devo citar dois outros personagens: a mãe de Richard, Cecily Neville, e o pai do mesmo, Richard Plantageneta; na visão da Cecily, o filho não passa de uma criação do demônio, a verdadeira representação do mal e da escória, mas para seu marido, é como se houvesse uma ligação fortíssima com o garoto, ele o trata sim de forma especial, mas nesse contexto é o especial que poderia ser traduzido como “você está acima de todos os outros”. É nesse aspecto que me pergunto no que Richard se transformará e qual expectativa ele corresponderá, a de sua mãe ou a de seu pai.

Além do enigma que assombra o futuro do personagem, também há um que remete a sua verdadeira origem. Richard, apesar de ser apresentado como um menino desde o início, sofre com a incógnita de qual sexo realmente pertence. Em uma frase jogada como essa pouca importa, porém isso reflete nas vontades do garoto de estar na frente de batalha junto de seu pai e ser incapaz graças ao corpo que carrega – ou o que ele pelo menos suspeite que seja o motivo. Eis que surge Joan of Arc – a que conhecemos por aqui como Joana d’Arc, aquela que foi queimada na fogueira – que assim como o protagonista, “não tem” um gênero definido e representa a desgraça, afinal de contas, ela é uma bruxa. Há uma conexão evidente entre ambos, porém a autora só permite ao leitor criar hipóteses sem deixar nada concreto. A questão é que Joan aparece nos momentos de reflexão do personagem ou quando uma decisão ruim envolvendo Richard e seu universo acaba sendo feita, é como se, de alguma forma, ela estivesse convivendo dentro dele.

requiem-of-the-rose-king-manga-viz-shoujo-aya-kanno-13O traço de Rose King mesmo isolado, seria um ótimo motivo para acompanhar a série. A Aya Kanno que desenhava Otomen e a mesma Aya Kanno que desenha Rose King tem diferenças bem perceptíveis. A primeira delas e talvez a mais notória é a questão de movimento que os desenhos passaram a ter, saiu daquela arte estática e ainda aderiu expressões bem humanizadas; o choque, a fúria, a seriedade, a tristeza, a paranóia, o traço de Kanno consegue captar para o leitor exatamente o que é preciso para o momento. Rose King é uma obra que exige emoções e também exige que essas sejam feitas de maneira impecável.

Com relação a edição da Viz Media, não encontrei nada que me decepcionasse. Um dos meus maiores vereditos na hora de adquirir um encadernado de fora é ver se o logo é parecido, ou se pelo menos é fiel, a sua capa original. O volume estaduniense sofre algumas alterações, mas nada que seja esteticamente feio – como por exemplo, a versão de Akatsuki no Yona, publicado lá com o nome “Yona of the Dawn”, o logo é terrível apenas. O papel usado é um semelhante visualmente com o papel jornal que temos aqui, porém… A textura é sem comparação, o papel é grosso e 0% de transparência, bem maleável e se pudesse descrever em uma palavra, essa seria “maravilhoso”! O único aviso para aqueles que estiverem pensando em adquirir as edições americanas é pelo fato das onomatopéias serem traduzidas, isso não me incomoda nenhum pouco, mas sei que há quem se importe.

Só por curiosidade, gostaria de destacar que a Viz Media é a mesma editora que carrega consigo a marca da Shojo Beat no mercado gringo. Dona de títulos como Kimi ni Todoke, Skip Beat, Boys Over Flowers e outras grandes séries, a Shojo Beat sempre deixa registrado em seus mangás o “selo shoujo”, porém, com Rose King esse selo não existe. Talvez até mesmo a divisão não seja “adequada” para ele?

requiem-of-the-rose-king-manga-viz-shoujo-aya-kanno-6CONSIDERAÇÕES FINAIS

Continuarei acompanhando o mangá, não só por ele ser diferente de todos os que estou lendo no momento, mas também porque quero ver como a autora seguirá com a trama e se ela optará por deixar o leitor com os spoilers da verdadeira história ou se transformará em algo novo. Para aqueles que se sentem inseguros por se tratar de um shoujo ainda em publicação, devo anunciar que a revista já comunicou que Requiem of the Rose King concluiu sua primeira metade com a publicação do sexto volume, logo a série não deve finalizar com tantos volumes.

Caso esteja interessado em comprar o volume físico da Viz Media, deixo aqui o link do primeiro volume no Book Depository. Também há como comprar na Amazon brasileira, porém o volume #1 se encontra indisponível, mas, claro, sempre há a opção de ler os primeiros capítulos pela internet e depois investir nos físicos.

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3 comentários sobre “Resenha: Requiem of the Rose King, de Aya Kanno

  1. Pingback: Primeira temporada do mangá Requiem of the Rose King termina no Japão | Shoujo-ON!

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